

China – O Despertar do Dragão
Viagem ao Milagre Econômico ChinêsLuís Giffoni visitou a China pela primeira vez em 1989. Encontrou o país, que se aprontava para a globalização, ainda fechado e vivendo sob o trauma do massacre da praça da Paz Celestial. Dezoito anos depois, quando o escritor retorna a Pequim, o massacre é assunto proibido por lei, e pouco se sabe do destino de vários dos estudantes que ousaram desafiar o poder, pedindo mais liberdade e democracia. O que se sabe é que a China, sem mudar essencialmente o regime político, tornou-se potência mundial, sem limites previsíveis para seu crescimento. Como sintetiza Giffoni, é um país superlativo.
Esta viagem ao milagre chinês não tem a finalidade de explicar como se deu a transformação. Para isso, aliás, nem é necessário ir até lá; basta estudar nos manuais de economia, geopolítica e história. Mas Giffoni, dotado de uma curiosidade transoceânica, faz mais, pois o que o motiva é sentir na pele o roçar das cidades e suas esquinas, provar os hábitos e a comida, perceber o cotidiano e as pessoas.
Hotéis, livrarias, bancas de camelô, nada escapa ao olhar do viajante que quer desvendar o mundo e compartilhar esse conhecimento. E ele o faz entremeando a observação do presente e a pesquisa, reconstituindo a história dos povos que dão rosto ao país, confrontando as idosas tradições culturais e a juventude que se ocidentaliza. A densidade da informação econômica, histórica e política tem seu peso aliviado pelo humor e pela ironia. O resultado é sofisticação e leveza, que, a propósito, formam a matéria-prima da seda.
Depois de recolher em “Retalhos do mundo” e “O reino dos puxões de orelha e outras viagens” suas andanças pelas Américas, Europa, parte da Ásia e da África, o escritor dedica um livro a um único país. Justifica-se. Desde a lendária viagem de Marco Polo, a China detém lugar especial no imaginário do Ocidente. E, hoje, ocupa também um lugar no pesadelo dos governos ocidentais. O que este livro mostra, ao descerrar a “cortina de bambu”, é um país luminoso e assustador, como o dragão, que nos encanta e assombra.Francisco de Morais Mendes
Editora Leitura, BH, 2007 - 192 páginas, capa de Nilson Bispodejesus, R$ 28,00, ISBN 97885358764-7
O Reino dos Puxões de
Orelha e Outras ViagensDesde a Antiguidade, os relatos de viagem fascinam os leitores. A História, como tentativa de compreensão da trajetória humana na Terra, tem em sua origem a curiosidade dos primeiros viajantes, interessados não só em observar paisagens, mas principalmente em entender o outro, em seus costumes, línguas, comportamentos. O tempo reduziu os espaços – e o leitor pode se perguntar se há lugar ainda hoje, num mundo intoxicado pela informação, para livros de viagens.
O Reino dos Puxões de Orelha e Outras Viagens responde afirmativamente a essa indagação. Porque cada deslocamento, sendo experiência única, pode transformar-se, nas mãos de um escritor sensível, em manancial de vivências a serem compartilhadas. E Luís Giffoni é uma dessas almas iluminadas – dono de vasta cultura, não perdeu aquela motivação infantil de saber, ver e conhecer mais e, generoso, participar suas descobertas.
Assim, além de textos de primeiríssima qualidade, permeados de humor e ironia, que flertam a todo momento com a inteligência do leitor, oferece-nos dados históricos e geográficos, sem em momento algum resvalar no didatismo.
Se, em Retalhos do Mundo, Giffoni refaz suas viagens pela Índia, Chile, Argentina, Estados Unidos, Indonésia, Nepal, México e Amazônia, neste O Reino dos Puxões de Orelha e Outras Viagens descreve uma incrível viagem de carro por dez mil quilômetros costa a costa dos Estados Unidos; apresenta-nos às belezas de Fernando de Noronha; fica sem fôlego nos Andes peruanos; mergulha nas águas do Pacífico Sul, em Manatu Bakara; pechincha em inglês na Tailândia; conhece a miséria por detrás do exotismo turístico do Egito; excursiona por cassinos ao redor do mundo e revela-nos o resultado das pesquisas sobre suas raízes mineiro-italianas.
Agora, se o leitor, tendo visitado algum dos lugares descritos no livro, não o reconhecer, espantando-se, como um amigo do autor em dada altura do livro “Acho que visitamos países diferentes. Não vi nada daquilo que você viu”-, aceite com humildade a resposta do autor: “Pois é, sou ficcionista. Vivo de criar ilusões com tempero de realidade”.Luiz Ruffato
O olhar de Giffoni é revelador. Não remete estereótipos nem confirma idéias pasteurizadas reincidentes na mídia global. Ele destaca aspectos cotidianos que compõem a personalidade dos protagonistas das histórias. E não teme confessar as impressões pessoais: opina, reflete e discute cada tema. Convida o leitor a participar, desperta curiosidade, estimulando experiências novas, reais ou imaginárias, mas não entrega idéias preconcebidas. Deixa em aberto as vivências, que compartilha sem arrogância, de forma despretensiosa.
Janaina Cunha Melo - Caderno Cultura - Estado de MinasEditora Pulsar, BH, 2005 - 240 páginas, capa de Marcelo Vianna,
Ed. Pulsar, 2004, Belo Horizonte, R$ 25,00, ISBN 85-900742-9-3
Retalhos do MundoHimalaia, Andes, Sierra Nevada.
Amazônia, Nepal, Patagônia, Ladakh.
Taj Mahal, Teotihuacán, Pashupatinath.
Denpasar, El Chaltén, Cidade do México.
Retalhos do Mundo leva-nos ao redor da Terra numa viagem em que culturas, história, geografia, pessoas e situações inusitadas se mesclam num texto leve e ágil.
Com bom humor e senso de observação, Luís Giffoni revisita lugares por onde andou, de grandes centros urbanos a cafundós em três continentes.
Conta-nos como é a falta de ar no Karakoram acima de quatro mil metros de altitude e em Los Angeles durante o smog. Testemunha a morte de escaladores no Annapurna. Quase morre durante uma nevasca perto do monte Whitney. Mergulha na beleza do mar de Bali. Acompanha mateiros no miolo da Floresta Amazônica. Resgata tradições de astecas, indianos, norte-americanos, chilenos e argentinos. Mostra o fatal encontro com uma tribo desconhecida de índios. Atravessa os contrafortes das Torres del Paine, do monte Fitzroy e do Cerro Torre. Compara comportamentos. Relembra livros e autores. Experimenta cardápios exóticos.
Retalhos do Mundo revela a diversidade da Terra e do ser humano - e convida o leitor a participar de algumas aventuras.Comentários
Giffoni, em suas crônicas, inscreve-se na linguagem da literatura dos viajantes, ao percorrer partes do mundo cuja natureza, costumes, língua, história, religião, arte, ciência e tecnologia ainda são desconhecidos por grande parte do homens.
Dos locais visitados, Índia, Indonésia, Nepal, Estados Unidos, México, Chile, Argentina e Brasil, muitos exigem grande dose de coragem, um espírito aventureiro e, sobretudo, a curiosidade dos escritores que buscam o inusitado. Tudo isto dá uma dimensão do extenso universo cultural do escritor que, ao trazer o mundo até o leitor, expande seu repertório de conhecimento nos mais diversos campos do saber.
Camila Diniz
Caderno Pensar - Estado de MinasAs crônicas trazem aventuras como a oportunidade de assistir a um show do então iniciante Jim Morrison, em 1967, da banda The Doors, em Los Angeles, a peripécia de vender uma rifa ao ator Paul Newman, o risco de visitar lugares em que a vida está sempre por um fio, por motivos políticos ou relativos à natureza, com em Leh, na Caxemira Oriental, perto da divisa da Índia com o Paquistão, ou em Bali.
Júlio Assis
Magazine - O TempoGiffoni não é um turista, e sim alguém que viaja à procura de entender o outro, de estender a mão ao que lhe é diferente.
Luiz Ruffato
Prosa & Verso - O GloboAs viagens de Giffoni trazem à tona personagens e lugares onde reinam o inusitado e o exótico, revisitados pelo estilo sempre irônico e bem-humorado do autor.
Não são meros relatos de viagens, mas narrativas mergulhadas no universo absolutamente reflexivo, onde o humano, demasiado humano, sempre dá suas caras, mesmo escondido nos lugares mais estranhos, insólitos ou recônditos.
Alécio Cunha
Caderno Cultura - Hoje em DiaEditora Pulsar, Belo Horizonte, 2005 - 168 páginas, capa de Marcelo Vianna, R$ 20,00, ISBN 85-98763-01-2
Infinito em pó"Em Infinito em Pó, Luis Giffoni nos transporta a um futuro que espelha o nosso presente, onde a tecnologia avançou muito mais rapidamente do que o espirito humano, que continua sofrendo das mesmas ganâncias e fraquezas que marcam a nossa história coletiva.O romance narra uma viagem a Alpha Centauri, nossa estrela vizinha, de duração tão longa que a espaçonave é um microcosmo com milhares de tripulantes, capaz de preservar a espécie humana por várias gerações.
Este é o palco onde coexistem os pioneiros, que partiram da terra, e aqueles que já nasceram no espaço, uma geração que só conhece nosso planeta virtualmente.
Deste conflito de perspectivas, Giffoni constrói um mundo onde a luta pela sobrevivência - do corpo e do espírito - e a exploração do novo definem, de forma trágica, aqueles que são senhores de seu destino."Marcelo Gleiser
"Infinito em Pó, uma ficção científica que, enquanto especula sobre as soluções tecnológicas do futuro, aponta para os paradoxos do presente".
Pablo PiresO Tempo
"Metáfora da trajetória humana".
Alécio Cunha
Hoje em Dia"Em Infinito em Pó o leitor também se desloca, em tempo, espaço e consciência. Ainda que o corpo permaneça no século XXI, a mente caminha para anos em que tudo será possível".
Janaína Cunha Melo
Estado de Minas"Por que ler Infinito em Pó: Com toques de ficção científica, a narrativa busca refletir sobre a sobrevivência do mundo material e do espírito".
Folha de São Paulo"Num relato tão poético quanto perturbador, Giffoni aborda a difícil relação do homem consigo mesmo, seu tempo, seu mundo e seu destino, e faz uma competente e sensível crítica dos valores na sociedade contemporânea."
Ronaldo Cagiano
Correio BrazilienseEditora Pulsar, Belo Horizonte, 2004 - 240 páginas, capa de Marcelo Vianna, R$ 25,00, ISBN 85-900742-9-3
O Poeta e o Quasar
Autor experimentado no romance, no conto e nas narrativas para jovens, gêneros que lhe renderam alguns dos mais importantes prêmios da literatura brasileira contemporânea, o escritor Luís Giffoni também nos surpreende com a qualidade de suas crônicas.
Depois de publicar a coletânea Riscos da Eternidade, ele volta com este instigante O Poeta e o Quasar, mostrando por que está em alta o gênero que consagrou Rubem Braga, Paulo Mendes Campos, Fernando Sabino, Roberto Drummond e tantos outros.
Com um estilo às vezes direto, às vezes mais sofisticado, mas sempre com uma clareza de encher os olhos e grande poder de síntese (qualidades próprias de quem entende do ofício e sabe que está escrevendo para ser lido por qualquer pessoa, e não por um grupo de eleitos), em O Poeta e o Quasar Luís Giffoni nos leva a passear com ele por idéias, temas e lugares os mais diversos.
Assim, quase sem nos darmos conta, tal a maneira que os textos nos envolvem, vamos em sua companhia desde o Mercado Central de Belo Horizonte, onde os mineiros se encontram independentemente de raça, credo ou time de futebol, até a Los Angeles da década de 1960, para uma das primeiras apresentações do conjunto The Doors. E não paramos por aí.
Visitamos a Itália do século 18 conduzidos pelos olhos de Goethe, a Argentina atual através de letras de tango e chegamos até um dos mais distantes objetos celestes, o quasar.
Não escapamos ao riso ante as preocupações de um pai com o filho adolescente, tampouco nos furtamos à reflexão quando os papéis da cultura, da arte e da ciência são abordados.
Tem mais. O escritor nos ensina a saborear, sem pressa, um bom prato e uma taça do melhor vinho. Dessa maneira, aliás, devemos curtir O POETA E O QUASAR, aos poucos, mas com a certeza de que, no final, estaremos plenamente satisfeitos. Entrar no universo ficcional e humano de Luís Giffoni é garantia de ótima leitura.Carlos Herculano Lopes
“As crônicas e comentários de O Poeta e o Quasar se inserem no bom elenco que a produção mineira oferece junto ao panorama nacional. Em matéria de qualidade literária e fecundidade, Luís Giffoni reafirma-se como nome do primeiro time".
Clara Arreguy
Estado de Minas"Giffoni é um dos autores mais importantes da literatura brasileira atual."
Christian Catáo
Diário da Tarde"O Poeta e o Quasar, mais uma prova irrefutável de talento, criatividade, humor e sensibilidade".
Paulo Navarro
O Tempo"Com a versatilidade da crônica, Luís Giffoni sugere um pouco de caos à ordem e oferece um ambiente de reflexão a partir da literatura".
Janaína Cunha Melo
Estado de MinasEditora Pulsar, BH, 2003, Crônicas, 102 páginas, R$ 20,00
ISBN 85-900742-8-5
Os Chinelos de Raposa Polar
Viaje ao amor eterno, às montanhas de Marte, ao interior de uma esferográfica, à cabeça de Freud, à mente de uma barata.
Os contos de Os Chinelos de Raposa Polar, com a marca da originalidade e do estranhamento, provocam o fascínio da imaginação.Sinfonia Em Três Tempos Para a Imaginação
O tempo é protagonista desta nova experiência literária do escritor Luís Giffoni.Depurados na medida exata, temperados com ironia e dotados de atmosfera mordaz, os contos de Os Chinelos de Raposa Polar conjugam a temporalidade em três vertentes que se mesclam através de ondas pretéritas, presentes e futuras. Cronos rege astuta sinfonia de misturas. E, sob sua batuta, a estranheza toma conta do manancial de histórias de Giffoni, inventor laborioso. Primeiro entra em cena a mitologia. Afrodite e Adônis podem ter uma relação muito especial com cadeiras de balanço, enquanto toda a atmosfera mítica está presente nas entrelinhas de vários contos.
É no tempo presente que Luís Giffoni constrói hercúlea engrenagem a partir do experimento com a linguagem. Os finais de seus textos arrebatam os leitores. Ele sabe manejar o clímax como poucos . Um dos textos mais preciosos do livro, Ars Gratia Artis dialoga com um clássico marginal da literatura, Do Assassinato Como Uma Das Belas-Artes, de Thomas Quincey, ao narrar a saga de um artista plástico serial killer, apaixonado por espasmos mortais, últimos suspiros.E os suspiros aparecem na odisséia tão brasileira de Núbia, empregada para toda obra, acometida de estranhas alucinações verbais. Há uma certa fixação por comida, presente ainda em dois outros contos. No primeiro deles, A Maior Iguaria do Universo, repleta de humor negro, descobre-se conspiração de ETS que transformam terráqueos em tira-gostos. No outro, Têtes de Coq aux Fines Herbes de Provence, uma viúva metida a besta rica encara um prato que lhe traz uma recordação fatal.
Um clima crescente e perturbador desperta os estranhos que habitam em nós, ávidos leitores por histórias que instiguem e não sejam meros depósitos de entretenimento. Dessa maneira Giffoni não tem medo de pôr em cena um colecionador de miniaturas de viajantes espaciais, um velho que acredita em duendes, um Deus-Prozac, dois curiosos contumazes (Brothero e Orvélio), veneno hirônico destilado nos Big Brothers da vida. E, é claro , os tais chinelos de raposa polar. Quer saber mais? Mergulhe fundo e reze para sair ileso de tão fantástica leitura.Alécio Cunha
“Os Chinelos de Raposa Polar nos apresenta um mestre do conto de imaginação motivada pelo futuro e de linguagem atualizada pelos avanços da tecnologia. Ciência e arte se abraçam em textos ora líricos, ora dramáticos, ora festivos, ora irônicos. Um contista de raros recursos, Luís Giffoni."
Fábio Lucas
Estado de Minas"Contos e crônicas de quem conhece as palavras e as trata com respeito. Giffoni se faz presente de novo na ficção brasileira com dois bons livros."
Nelson Vasconcelos
O Globo"Contos com as mais diversas questões que envolvem o ser humano e o ofício de escrever."
Fabiana Pinho
Jornal do Brasil"Os contos que compõem Raposa Polar têm méritos consideráveis e um deles é o de conseguir prender o leitor com suas tramas."
Whisner Fraga
rascunho"Uma sugestão: se tiver pouco tempo, não comece a ler Os Chinelos de Raposa Polar, pois são tão envolventes que o leitor não consegue parar até chegar ao final."
Virgínia Boa Morte
Minas Gerais
"O autor procura liberar a imaginação fértil e cria seus contos fantásticos e explora bem o aspecto surrealista da existência humana."
Hugo Pontes
Jornal da Cidade"Minas não pára de produzir talentos em todas as áreas. Luís Giffoni, um dos mais premiados escritores mineiros, lançou mais dois ótimos livros - Os Chinelos de Raposa Polar(contos) e Riscos da Eternidade(crônicas)."
Tostão
Coluna do Tostão - Estado de Minas.Editora Pulsar, BH, 2002, Contos, 120 páginas, R$ 20,00
ISBN 85-900742-5-0
Riscos da Eternidade - Crônicas
As crônicas de Riscos da Eternidade, com fino senso de humor, atravessam o mundo do Nepal à Califórnia e refletem sobre a cultura contemporânea. O resultado é um livro instigante que diverte e, ao mesmo tempo, faz pensar.
Riscos da Eternidade
Num dos textos deste livro, o leitor irá tropeçar na pergunta: o que é uma crônica? Todos tropeçamos na pedra desta pergunta que continuará repetida eternidade afora, felizmente sem consenso, sem pensamento único que imponha hegemonicamente uma resposta.
Os riscos da eternidade são vários. O maior deles? Trazer para o espaço do livro aquilo que nasceu para o (e no) jornal, em diálogo com o cotidiano. E que agora se submete ao desafio de superar o momento de criação. Uma crônica pode ser o texto mais importante do dia para quem escreve e para quem lê, mas pode não durar além do dia.
Este risco Luís Giffoni enfrentou: buscar o que é perene na coleção de crônicas publicadas no Jornal O Tempo, de Belo Horizonte, entre 1996 e 2001. A eternidade - a que todo tempo aspira - se confronta com o risco do fugaz e do cotidiano de que a crônica é prisioneira.Mas Giffoni tira de letra esses riscos, expandindo seus temas. Seja no tempo, pois ele é capaz de recorrer ao imaginário de outras épocas para desenvolver uma idéia. Seja no espaço, pois a temática não se circunscreve à cidade, vai do Nepal à Califórnia. Seja no questionamento das certezas da ciência e da cultura. Seja na denúncia da crueldade das guerras.
O espaço do cronista é o mais confortável do jornal. O noticiário é sempre assertivo, até para falar da dúvida e da incerteza. A crônica, por outro lado, pode falar de algo que se ignora, preenchendo o vazio com outras frases, outras informações, outros textos, até tropeçar na velha pergunta - sem resposta - que lhe deu origem. Pois ela também caminha no terreno infinito da ficção.
Como afirma Luís Giffoni, a ficção é o spa da realidade, onde o fato perde o peso e o estresse. É o leitor quem ganha com a leveza do texto.
Francisco de Morais Mendes"Crônicas cujas características fundamentais são o senso de humor, que é o espírito primordial dentro de gênero de textos e a capacidade de fazer pensar, raciocinar sobre o nosso cotidiano."
Hugo Pontes
Jornal da Cidade"Os riscos da eternidade fazem parte do destino do ser humano e o autor retrata alguns deles com os rabiscos eternos que sempre foram e sempre serão delineados."
Fabiana Pinho
Jornal do Brasil"Giffoni consegue mandar seu recado mesmo nas crônicas sobre assuntos que já sairam das páginas de jornais. Mas, ora, não são justamente estes os Riscos da Eternidade?"
Nelson Vasconcelos
O GloboEditora Pulsar, BH, 2002, Crônicas, 106 páginas, R$ 20,00
ISBN 85-900742-6-9
A Verdade tem Olhos Verdes
Um helicóptero explode sobre São Paulo. Morrem o homem mais rico do Brasil e sua filha. Acusado pelo crime, o genro do bilionário foge. Enquanto busca provar sua inocência, enfrenta um labirinto que o leva dos Estado Unidos à Itália e do Caribe a Luxemburgo. Diante do mundo globalizado, A verdade tem olhos verdes mostra como a realidade pode ser enganadora.
A verdade tem olhos verdes
O romance A verdade tem olhos verdes, de Luís Giffoni, seduz quem se aventura por suas páginas. Dos ícones do mundo atual a antigas buscas filosóficas, de Nova York a Luxemburgo, do azul do Caribe ao cinza no centro de São Paulo, dos requintes de bilionários à indigência de um sitiante, do esnobismo intelectual na universidade de Harvard ao semi-analfabetismo de uma socialite, por estes e outros labirintos o enredo nos conduz à multiplicidade humana. Com fina ironia, o autor constrói o retrato de uma espécie que oscila entre extremos.
Ao explodir o helicóptero em que o sogro viajava, o narrador mata, também a mulher e o filho. Vencido pela culpa, descobre que sua bomba jamais detonou - uma outra, misteriosa destruiu a aeronave. Na caçada que se segue, perseguidor e perseguido disputam a primazia do aniquilamento. Enquanto investiga a tendência do cérebro para criar modelos lógicos, a história gera tensão que culmina na surpresa final.
Um livro que pode ser lido em diversos níveis, A verdade tem olhos verdes revela um autor maduro. Entre seus méritos está o de explorar as possibilidades inerentes ao romance, à procura de palavras que valham por muitas imagens. O resultado é uma leitura prazerosa.
Cabe aqui uma pergunta: por que o título relaciona a verdade a olhos verdes, estereótipos da falsidade? Fique atento, leitor. A sedução é o caminho mais curto para o abismo onde mora o substrato de todas as vidas, em todos os tempos. A realidade, musa diáfana de filósofos e escritores, pode ser muito enganadora.
"A escrita de Luís Giffoni capta com destreza o submundo do colarinho branco, numa narrativa que prende o leitor."
Letícia Malard
O Globo"Luís Gifffoni reverteu a lógica para tentar provar que as palavras valem mais do que as imagens. E conseguiu".
Adriano Macedo
Caderno Fim de Semana - Gazeta mercantil"Luís Giffoni revela toda a excelência de sua escrita em seu novo romance - A verdade tem olhos verdes".
Clara Arreguy
Estado de Minas"O resultado é desconcertante, surpreendente, como se estivéssemos num carrossel, perseguidos por um fotógrafo lambe-lambe...".
Luiz Carlos Maciel
O Escritor"Um dos principais ficcionistas da cena brasileira contemporânea, Giffoni, ao tentar desvendar as engrenagens súbitas que formam o ser humano, constrói um romance polifônico e hábil, fruto de peculiares inteligência e sagacidade."
Alécio Cunha
Hoje em Dia"Com nomeação enxuta, em alguns momentos ríspida, noutros cheio de humor, é narrado o percurso de homens poderosos, que acabam perdidos no labirinto por eles mesmos construído".
Lígia Cademartori
Correio BrazilienseEditora Pulsar, BH, 2001, Romance, 240 páginas, R$ 20,00
ISBN 85-900742-4-2
Adágio para o SilêncioUm romance atual, com a música de todos os tempos.
Uma história sobre a vida, calcada na morte de uma matriarca.
Uma fábula sobre a paixão, marcada por um crime.
Você vai morrer de amor por Adágio para o Silêncio.Adágio em Sol Menor para Punhal e Pizza
Se o olfato do leitor estiver bem apurado, ele há de sentir, atrás da orelha deste novo romance de Luís Giffoni, a fragrância de Chanel nº 5, que Marylin Monroe e Estela Matutina da Silveira Mendes costumavam usar. A estrela de Hollywood brilha no imaginário da estrela de Rio Verde, fictícia cidade do Sul de Minas, onde há um bairro chamado Beverly Hills, duplicando o mimetismo tupiniquim, desdobrado em nomes dos netos de Dona Telinha: Johnny e Paul... Essa protagonista e o odor que emana de sua vida e de seu poder ficarão, é certo, impregnados em nosso imaginário.
Se a visão do leitor estiver bem aguçada, ele há de vislumbrar, nas poucas horas em que se desenvolve esta história, uma dança de signos e uma confluência de estilos, regidos por um irônico escritor, capaz de conjugar o clássico, o gótico, o barroco e o pós-moderno, aspergindo gotas de kitsch num velório onde tremula a luz bruxuleante de uma estrela morta. Essa estrela, Estela, Dona Telinha, embora morta, comanda as ações, orienta os gestos, pontua as prosas a até se presentifica, com seu sangue, no caldo de mandioca que a empregada Rosa serve à família da matriarca. Eis a macabra receita de Luís Giffoni: põe, diante dos olhos do leitor, numa sala de visitas de cinco portas, à maneira das cinco pontas de uma estrela, uma morta-viva, toda espetada com alfinetes, em torno da qual desfilam pessoas, ora convencionais e previsíveis como bêbado em velório, ora singulares, como um inimigo político que sabe versos de Augusto dos Anjos. O andamento do romance, aliás, joga com o convencional e o insólito, assim como se pode ver nos nomes dos animais da família: o cão carrega um nome convencional, Rex, e o gato siamês, cujo andar é de mocinho de faroeste, traz o mitológico nome de Sísifo.
Se o tato do leitor estiver bem atilado, ele há de tocar nas esculturas de Apolo, Euterpe e Melpômene, objetos de decoração do palacete onde se vela a morta, cujos filhos também têm nomes de ressonâncias míticas: Aristeu, Ulisses, Nereida. Ao ter nas mãos a figura de Melpômene, a musa da tragédia, o leitor há de perceber um punhal. E o autor põe dois gumes nessa arma: o trágico e o cômico, imprimindo, na matéria da narrativa, a sua densa e intensa verdade humana, a alma e a careta, o lirismo e o grotesco, o sagrado e o profano. O resultado disso lembra a forma dramática e a expressiva intensidade patética da obra do artista do Quatrocentto, Donatello, ludicamente fragmentado no apelido de Dona Telinha. E, se entre as esculturas, falta Urânia, a musa da astronomia, bastará ao leitor tatear o nome do viúvo de Estela, Henrique de Castro, onde há também um astro que, embora de luminosidade crepuscular, apresenta incontestável grandeza psicológica.
Se o paladar do leitor estiver preparado para a canja e o nojo, para a pizza e o pânico, para o crime e o creme, para a franqueza e o quiabo, ele há de degustar, nos variados sabores e saberes deste romance, o gosto da vida temperando a morte. Se a boca do leitor não estiver deformada como a boca do Cristo esculpido no caixão da morta, ele há de provar, mais do que a nata dos pastéis de uma líder nata, a arte do cuciniere Giffoni, que nos surpreende a cada prato / livro.
E, finalmente, se a audição do leitor estiver bem preparada para ouvir o Adágio de Albinoni, ele há de captar, na cadência fúnebre das frases deste romance, a candura da eternidade, expressa em páginas líricas, mas que se misturam com o som de Mozart vindo de um celular, os ruídos de videogames ou vozes de operários em greve, para não mencionar o zumbido da campainha apertada por um entregador de pizzas, já que, neste país, "até a morte acaba em pizza". Ouça, leitor, como o maestro Giffoni funde elementos díspares de estilo e nos delicia com este concerto grosso e sutil sobre o desconcerto de um mundo.Luiz Carlos Junqueira Maciel
"Densa e intensa verdade humana."
Jornal O Globo"Not to be missed, Adágio para o Silêncio has a dramatic impact all its own, raising the modern Brazilian narrative to new heights of talent and promise"
World Literature Today"Luís Giffoni é o regente de um adágio que combina a solidez da Mantiqueira e o seu oposto, um mundo que se move de maneira veloz, o novo reabsorvendo o antigo."
Jornal do BrasilEditora Pulsar, BH, 2000, Romance, 224 páginas, R$ 20,00
ISBN 85-900742-3-4
A Árvore dos Ossos
Cinco séculos de Brasil ou cinco milênios de humanidade?
A discriminação em suas múltiplas formas - sexual, religiosa, racial, etária, cultural, geográfica - ou a busca do amor sem restrições?
O terrível ou o sublime?
A realidade ou o mito?
A razão, o coração ou o instinto?
A Árvore dos Ossos é o romance dos conflitos e dos sonhos humanos.Trecho
"O pedido me deu mais poder, um poder maior que qualquer outro que já tive, o de dono da vida e da morte. Nas minhas mãos, o juízo final. A honra dá direito ao julgamento, e a minha decisão estava tomada. O poder trouxe mais prazer. Senti prazer na dor da Helena, nos seus lábios moídos, nos dentes arrancados, na sua beleza desfeita, nas suas lágrimas de ódio. Senti prazer no espanto e no pavor de Malaquias e na vontade que eu tinha de lascar um tiro na cabeça dele, para devolver suas traições. Senti prazer na bica de sangue do crente. Em cada gota, eu bebi a sua vida, a sua mocidade e a sua força. Eu herdei todos os anos que ele devia de ter pela frente. Fiquei mais forte ainda, mais impetuoso"."Um grandioso, cinematográfico e violento encontro do
homem consigo mesmo. E com Deus".
Cristina Agostinho
Revista Palavra
"Uma metáfora do espírito brasileiro".
Sylvia Colombo
Folha de São Paulo"A realidade nua e crua da condição humana".
Jorge Fernando dos Santos
Estado de Minas"Um texto onde se alternam o grotesco, o
cômico e o terrível, como não se conhece nada de
semelhante na literatura brasileira".
Ruth Silviano Brandão
Hoje em DiaEditora Pulsar, BH, 1999, Romance, 212 páginas, R$ 20,00
ISBN 85-900742-2-6
Tinta de Sangue
Tinta de Sangue é um romance incomum. Aborda a violência em suas múltiplas formas, desde as que chocam e viram notícia até outras, mais sutis, tidas como inevitáveis.
Num mundo onde as desculpas mais estapafúrdias procuram justificar a violência, dois "serial killers" sentem-se à vontade para matar.
O resultado é um romance que prende a atenção do leitor até a última página.
Trecho
"Se não há novidade em estar vivo, tampouco há em estar morto, resignou-se nos versos do poeta russo, cujo nome não mais lhe importava. Quis apenas a essência das frases. Haveria uma essência atrás de tudo, um significado escondido entre o infinitamente grande e o infinitamente pequeno que só aos moribundos se revela? Ou seria o instante final desprovido de especialidade, exceto pelo fato de acontecer por último? A morte é uma anestesia que preserva os sentidos. Como se chama mesmo? Peridural. A morte é uma peridural entre as vértebras da vida. Alguém já a teria pintado dessa maneira? Lembrou-se de Frida Khalo. Por que até na hora extrema não se esquecia de quadros e pintores? Quem imita quem, a arte ou a vida?""Uma pequena obra-prima".
Fernando Py
Tribuna de Petrópolis
"Luís Giffoni traz para seu livro as indagações
existenciais de uma época conturbada, marcada
pelo conflito e pela violência".
Régis Gonçalves
O Tempo
"Um enredo que nos seduz e tem tudo a ver
com cada um e nossas vidas".
Hugo Pontes
Jornal da Cidade
"Uma densa investigação sobre os limites
entre a arte e a morte".
Alécio Cunha
Hoje em Dia
Editora Pulsar, BH, 1998, Romance, 156 páginas, R$ 20,00
ISBN 85-900742-1-8
