
Um romance atual, com a música de todos os tempos.
Uma história sobre a vida, calcada na morte de uma matriarca.
Uma fábula sobre a paixão, marcada por um crime.
Você vai morrer de amor por Adágio para o Silêncio.
Adágio em Sol Menor para Punhal e Pizza
Se o olfato do leitor estiver bem apurado, ele há de sentir, atrás da orelha deste novo romance de Luís Giffoni, a fragrância de Chanel nº 5, que Marylin Monroe e Estela Matutina da Silveira Mendes costumavam usar. A estrela de Hollywood brilha no imaginário da estrela de Rio Verde, fictícia cidade do Sul de Minas, onde há um bairro chamado Beverly Hills, duplicando o mimetismo tupiniquim, desdobrado em nomes dos netos de Dona Telinha: Johnny e Paul... Essa protagonista e o odor que emana de sua vida e de seu poder ficarão, é certo, impregnados em nosso imaginário.
Se a visão do leitor estiver bem aguçada, ele há de vislumbrar, nas poucas horas em que se desenvolve esta história, uma dança de signos e uma confluência de estilos, regidos por um irônico escritor, capaz de conjugar o clássico, o gótico, o barroco e o pós-moderno, aspergindo gotas de kitsch num velório onde tremula a luz bruxuleante de uma estrela morta. Essa estrela, Estela, Dona Telinha, embora morta, comanda as ações, orienta os gestos, pontua as prosas a até se presentifica, com seu sangue, no caldo de mandioca que a empregada Rosa serve à família da matriarca. Eis a macabra receita de Luís Giffoni: põe, diante dos olhos do leitor, numa sala de visitas de cinco portas, à maneira das cinco pontas de uma estrela, uma morta-viva, toda espetada com alfinetes, em torno da qual desfilam pessoas, ora convencionais e previsíveis como bêbado em velório, ora singulares, como um inimigo político que sabe versos de Augusto dos Anjos. O andamento do romance, aliás, joga com o convencional e o insólito, assim como se pode ver nos nomes dos animais da família: o cão carrega um nome convencional, Rex, e o gato siamês, cujo andar é de mocinho de faroeste, traz o mitológico nome de Sísifo.
Se o tato do leitor estiver bem atilado, ele há de tocar nas esculturas de Apolo, Euterpe e Melpômene, objetos de decoração do palacete onde se vela a morta, cujos filhos também têm nomes de ressonâncias míticas: Aristeu, Ulisses, Nereida. Ao ter nas mãos a figura de Melpômene, a musa da tragédia, o leitor há de perceber um punhal. E o autor põe dois gumes nessa arma: o trágico e o cômico, imprimindo, na matéria da narrativa, a sua densa e intensa verdade humana, a alma e a careta, o lirismo e o grotesco, o sagrado e o profano. O resultado disso lembra a forma dramática e a expressiva intensidade patética da obra do artista do Quatrocentto, Donatello, ludicamente fragmentado no apelido de Dona Telinha. E, se entre as esculturas, falta Urânia, a musa da astronomia, bastará ao leitor tatear o nome do viúvo de Estela, Henrique de Castro, onde há também um astro que, embora de luminosidade crepuscular, apresenta incontestável grandeza psicológica.
Se o paladar do leitor estiver preparado para a canja e o nojo, para a pizza e o pânico, para o crime e o creme, para a franqueza e o quiabo, ele há de degustar, nos variados sabores e saberes deste romance, o gosto da vida temperando a morte. Se a boca do leitor não estiver deformada como a boca do Cristo esculpido no caixão da morta, ele há de provar, mais do que a nata dos pastéis de uma líder nata, a arte do cuciniere Giffoni, que nos surpreende a cada prato / livro.
E, finalmente, se a audição do leitor estiver bem preparada para ouvir o Adágio de Albinoni, ele há de captar, na cadência fúnebre das frases deste romance, a candura da eternidade, expressa em páginas líricas, mas que se misturam com o som de Mozart vindo de um celular, os ruídos de videogames ou vozes de operários em greve, para não mencionar o zumbido da campainha apertada por um entregador de pizzas, já que, neste país, "até a morte acaba em pizza". Ouça, leitor, como o maestro Giffoni funde elementos díspares de estilo e nos delicia com este concerto grosso e sutil sobre o desconcerto de um mundo.
Luiz Carlos Junqueira Maciel
"Densa e intensa verdade humana."
Jornal O Globo
"Not to be missed, Adágio para o Silêncio has a dramatic impact all its own, raising the modern Brazilian narrative to new heights of talent and promise"
World Literature Today
"Luís Giffoni é o regente de um adágio que combina a solidez da Mantiqueira e o seu oposto, um mundo que se move de maneira veloz, o novo reabsorvendo o antigo."
Jornal do Brasil