
As crônicas de Riscos da Eternidade, com fino senso de humor, atravessam o mundo do Nepal à Califórnia e refletem sobre a cultura contemporânea. O resultado é um livro instigante que diverte e, ao mesmo tempo, faz pensar.
Riscos da Eternidade
Num dos textos deste livro, o leitor irá tropeçar na pergunta: o que é uma crônica? Todos tropeçamos na pedra desta pergunta que continuará repetida eternidade afora, felizmente sem consenso, sem pensamento único que imponha hegemonicamente uma resposta.
Os riscos da eternidade são vários. O maior deles? Trazer para o espaço do livro aquilo que nasceu para o (e no) jornal, em diálogo com o cotidiano. E que agora se submete ao desafio de superar o momento de criação. Uma crônica pode ser o texto mais importante do dia para quem escreve e para quem lê, mas pode não durar além do dia.
Este risco Luís Giffoni enfrentou: buscar o que é perene na coleção de crônicas publicadas no Jornal O Tempo, de Belo Horizonte, entre 1996 e 2001. A eternidade - a que todo tempo aspira - se confronta com o risco do fugaz e do cotidiano de que a crônica é prisioneira.
Mas Giffoni tira de letra esses riscos, expandindo seus temas. Seja no tempo, pois ele é capaz de recorrer ao imaginário de outras épocas para desenvolver uma idéia. Seja no espaço, pois a temática não se circunscreve à cidade, vai do Nepal à Califórnia. Seja no questionamento das certezas da ciência e da cultura. Seja na denúncia da crueldade das guerras.
O espaço do cronista é o mais confortável do jornal. O noticiário é sempre assertivo, até para falar da dúvida e da incerteza. A crônica, por outro lado, pode falar de algo que se ignora, preenchendo o vazio com outras frases, outras informações, outros textos, até tropeçar na velha pergunta - sem resposta - que lhe deu origem. Pois ela também caminha no terreno infinito da ficção.
Como afirma Luís Giffoni, a ficção é o spa da realidade, onde o fato perde o peso e o estresse. É o leitor quem ganha com a leveza do texto.
Francisco de Morais Mendes
"Crônicas cujas características fundamentais são o senso de humor, que é o espírito primordial dentro de gênero de textos e a capacidade de fazer pensar, raciocinar sobre o nosso cotidiano."
Hugo Pontes - Jornal da Cidade
"Os riscos da eternidade fazem parte do destino do ser humano e o autor retrata alguns deles com os rabiscos eternos que sempre foram e sempre serão delineados."
Fabiana Pinho
Jornal do Brasil
"Giffoni consegue mandar seu recado mesmo nas crônicas sobre assuntos que já sairam das páginas de jornais. Mas, ora, não são justamente estes os Riscos da Eternidade?"
Nelson Vasconcelos - O Globo